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| Padre Wellington em meio ao povo nuer |
Eles não têm uma catedral, uma
paróquia, apenas uma Bíblia. Rezam o terço e pedem a Deus que envie
missionários. Esse é o povo Nuer, uma das 200 tribos presentes no Sudão
do Sul, na África.
Padre Wellington Alves foi ordenado em 2002
com o desejo de "abraçar aqueles que não tinham quem os abraçasse". E
foi esse desejo missionário que o levou, pouco tempo depois de sua
ordenação, ao Sudão do Sul, onde ficou por nove anos.
"Eu não
procurei estudar, nem saber nada sobre o Sudão, porque eu queria chegar
lá sem preconceitos. Eu sabia que tinha a guerra, sabia que era
terrível, mas não sabemos quão terrível é, até viver na guerra”, conta
padre Wellington.
O sacerdote conta que o primeiro impacto para
ele foi sair da capital paulista, um dos maiores centros urbanos do
mundo, e se deparar com uma realidade rural, na África, sem eletricidade
e sem conforto.
Padre Wellington foi o quarto sacerdote a
visitar o local, desde que a tribo se tornou cristã. Sua raiz está na
religião abraâmica, monoteísta. O cristianismo foi passado na tradição
oral: um catequista ensinava a outro e assim por diante. Em 1996, dois
desses catequistas conseguiram uma carona no helicóptero da Unicef até o
Quênia (outro país africano). Eles foram então até a casa dos
missionários combonianos e pediram que um padre e uma religiosa
voltassem com eles. Cerca de 40 mil pessoas da tribo Nuer estavam
esperando por eles e fizeram uma grande festa, pois rezavam, todos os
dias, pedindo a Deus que enviasse missionários.
“Eles não tinham
a Eucaristia, porque não tinham um padre. Mas eles eram bem
organizados, tinham catequistas, mulheres na legião de Maria, grupos de
jovens, de adolescentes. Eles eram cristãos, mas não tinham formação
cristã. Era isso que eles queriam de nós", destaca padre Wellington.
O
povo Nuer queria conhecer a Bíblia, entendê-la, saber mais sobre o
catecismo, sobre a história da Igreja e como ser um cristão melhor. O
trabalho realizado pelos missionários cambonianos era basicamente de
formação espiritual e didática.
A cultura africana e o Evangelho
O
presbítero ressalva que o Evangelho não veio para negar a cultura desse
povo africano, mas para aperfeiçoar. Toda cultura tem aspectos
positivos e negativos e o Evangelho vem para purificar a cultura. Mas
essas mudanças não são impostas, mas sim dialogadas.
Na cultura
deles, por exemplo, ao receberem uma visita, o mais velho da tribo
lava-lhes os pés, matam um cabrito, oferecem-lhe comida e uma cama para
repousar. Padre Wellington reforça que isso é lindo e deve ser
ressaltado.
“Na comunidade deles ninguém pode passar fome. As
crianças e os anciãos são respeitados. Contudo, na cultura deles também
existe a poligamia e a violência contra a mulher e isso tem que mudar",
salienta.
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| O povo Nuer é uma das maiores tribos do Sudão |
Presença de DeusO
sacerdote lembra que as pessoas diziam: "'Nós gostamos de vocês porque
vocês caminham conosco, tentam falar nossa língua, comem o que nós
comemos...' Eles respeitavam muito os missionários e nos admiravam".
Certa vez, ao fugir da guerra, padre Wellington viu uma menina que
dançava, pulava e cantava. Ele se aproximou e pediu que a menina
parasse, pois todos estavam tristes. Ficou surpreso com a resposta que
ela deu: "Padre, faço isso porque o senhor está conosco".
"Eles
diziam que nos tempos de guerra, sempre que estavam com missionários,
nada aconteceu, não sofreram ataques, não morreram. Então que a gente
era a presença de Deus realmente", recorda o padre.
O
missionário lembra ainda que eles falavam: "se você deixou seu país com
tanta coisa, comida, carro, e está aqui conosco onde não tem nada, isso
nos ajuda a acreditar mais ainda que Deus está conosco e nos ama".
A África precisa de missionáriosMuitas
pessoas dizem que um dia irão para África, mas o momento é agora. O
missionário ressalta que a Igreja é o mundo, ao se deparar com
diferentes realidades, a nacionalidade já não é mais tão importante.
Padre Wellington conta que se sentiu parte daquele povo, tendo -os como
amigos e irmãos com quem apreendeu muito e pode ensinar um pouco.
“Deus
quer que todos sejam felizes no mundo. Enquanto tiver uma criança
morrendo de fome, gente sofrendo, a humanidade não será feliz. Porque a
nossa felicidade está ligada a de outros. No mundo há recursos
suficientes para todos, basta partilhar, acreditar mais e ser menos
egoísta”, salienta.