6 de novembro de 2012

Íntegra da mensagem final do Sínodo

A 13ª Assembleia Ordinária do Sínodo dos Bispos, realizada no Vaticano de 7 a 28 de outubro, teve como tema a "Nova Evangelização para a transmissão da Fé". No final do Sínodo os padres sinodais elaboraram uma mensagem dirigida a Igreja e dividida em 14 pontos a baixo a íntegra da mensagem.
Tradução não oficial foi feita pelo padre Luis Alves Lima, da arquidiocese de São Paulo. A mensagem oficial do Sínodo foi publicada em latim clássico e em inglês, a íntegra da mensagem em inglês pode ser lida aqui.
Irmãos e irmãs,

“Graça e paz da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo” (Romanos 1,7). Antes de voltar para as nossas Igrejas particulares, nós, Bispos vindos de todo o mundo que se reuniram à convite do Bispo de Roma, o papa Bento XVI para refletir sobre “a nova evangelização para a transmissão da fé cristã”, desejamos nos dirigir a todos vocês, a fim de sustentar e orientar a pregação e ensino do Evangelho nos diversos contextos em que a Igreja se encontra hoje para dar testemunho.

1. Como a mulher samaritana no poço

Vamos começar a luz de uma passagem do Evangelho: o encontro de Jesus com a mulher samaritana (cf. João 4:5-42). Não há homem ou mulher que, na vida, não iria encontrar-se como a mulher de Samaria, ao lado de um poço com um balde vazio, com a esperança de encontrar a realização do desejo mais profundo do coração, o que por si só poderia dar sentido pleno para a vida. Hoje, muitos poços oferecer-se para saciar a sede da humanidade, mas temos que discernir de modo a evitar águas poluídas. Devemos orientar a busca corretamente, de modo a não cair para a decepção, o que pode ser prejudicial.

Como Jesus junto ao poço de Sicar, a Igreja também se sente obrigada a sentar ao lado de homens e mulheres de hoje. Ela quer tornar o Senhor presente em suas vidas, para que possam encontrá-lo porque o seu Espírito é a única água que dá a vida verdadeira e eterna. Só Jesus pode ler as profundezas de nosso coração e revelar a verdade sobre nós mesmos: “Ele me disse tudo o que eu fiz”, confessa a mulher aos cidadãos seus companheiros. Esta palavra do anúncio está unida à pergunta que abre a fé: “ele poderia ser o Messias?” Isso mostra que quem recebe a vida nova do encontro com Jesus não pode deixar de proclamar a verdade e a esperança para outros. O pecador que foi convertido torna-se um mensageiro da salvação e leva toda a cidade para Jesus. As pessoas passam do acolher seu testemunho para experimentar pessoalmente o encontro: “Já não acreditamos por causa da sua palavra, para que nós mesmos temos ouvido e sabemos que este é verdadeiramente o Salvador do mundo”.

2. A nova evangelização

Levar os homens e mulheres do nosso tempo à Jesus, para o encontro com ele é uma necessidade que toca todas as regiões do mundo, os da velha e os da recente evangelização. Em todos os lugares realmente sentimos a necessidade de reavivar uma fé que corre o risco de eclipse em contextos culturais que impedem seu enraizamento nas pessoas, e sua presença na sociedade, a clareza do seu conteúdo e da coerência de seus frutos.

Não é uma questão de começar de novo, mas de entrar no longo caminho do anuncio do Evangelho a coragem apostólica de Paulo, que iria tão longe a ponto de dizer: “Ai de mim se eu não anunciar o Evangelho!” (1 Coríntios 9,16). Ao longo da história, desde os primeiros séculos da era cristã até o presente, o Evangelho tem edificado comunidades de crentes em todas as partes do mundo. Sejam elas pequenas ou grandes, são o fruto da dedicação de gerações de testemunhas de Jesus – missionários e mártires – que recordamos com gratidão.

Os cenários social, cultural, econômico, civil e religiosos mudaram e nos chama para algo novo: a viver a nossa experiência comunitária de fé de uma forma renovada e anunciá-la através de uma evangelização que é “nova em seu ardor, em seus métodos, em sua expressões “(João Paulo II, Discurso à Assembleia do CELAM XIX, Porto Príncipe, 9 de março de 1983, n. 3) como disse João Paulo II. Bento XVI recordou que se trata de uma evangelização que se dirige “principalmente para aqueles que, embora batizados, se afastaram da Igreja e vivem sem referência à vida cristã… para ajudar essas pessoas a encontrar o Senhor, o único que preenche a nossa existência com significado profundo e paz, e para favorecer a redescoberta da fé, que a fonte da graça, que traz alegria e esperança para a vida pessoal, familiar e social “(Bento XVI, Homilia para a celebração eucarística para a inauguração solene da Assembleia XIII Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, Roma, 7 de outubro de 2012).

3. O encontro pessoal com Jesus Cristo na Igreja

Antes de dizer qualquer coisa sobre as formas que esta nova evangelização deve assumir, sentimos a necessidade de dizer-lhes com convicção profunda que a fé determina tudo na relação que construímos com a pessoa de Jesus, que toma a iniciativa de encontrar-nos. A obra da nova evangelização consiste em apresentar mais uma vez a beleza e novidade perene do encontro com Cristo ao coração muitas vezes distraído e confuso e à mente dos homens e mulheres do nosso tempo, sobretudo para nós mesmos. Convidamos a todos a contemplar o rosto do Senhor Jesus Cristo, para entrar no mistério de sua vida entregue por nós na cruz, confirmado na sua ressurreição dentre os mortos, como dom do Pai, e dada a nós por meio do Espírito. Na pessoa de Jesus, o mistério do amor de Deus Pai para toda a família humana é revelado. Ele não quer que permanecemos em uma falsa autonomia. Ao contrário, ele nos reconciliou consigo mesmo em um pacto de amor renovado.

A Igreja é o espaço oferecido por Cristo na história, onde podemos encontrá-lo, porque ele lhe confiou a sua Palavra, o Batismo, que nos faz filhos de Deus, o seu Corpo e o seu Sangue, a graça do perdão dos pecados, sobretudo no sacramento da Reconciliação, a experiência de comunhão, que reflete o próprio mistério da Santíssima Trindade e da força do Espírito que gera caridade para com todos.

Devemos formar comunidades acolhedoras em que todos os irmãos encontram uma casa, experiências concretas de comunhão, que atraem o olhar desencantado da humanidade contemporânea com a força ardente do amor – “Vede como eles se amam!” (Tertuliano, Apologia, 39, 7). A beleza da fé deve brilhar em particular nas ações da sagrada Liturgia, sobretudo na Eucaristia dominical. É precisamente nas celebrações litúrgicas que a Igreja, revela-se como obra de Deus e faz com que o significado do Evangelho visível na palavra e gesto.

Cabe a nós hoje tornar as experiências da Igreja concretamente acessíveis, multiplicar os poços onde os homens sedentos e mulheres são convidados a encontrar Jesus, oferecer oásis nos desertos da vida. As comunidades cristãs e, nelas, cada discípulo do Senhor, são responsáveis por isso: um testemunho insubstituível tem sido confiado a cada um, para que o Evangelho possa entrar na vida de todos. Isso exige de nós a santidade de vida.

4. As ocasiões de encontro com Jesus e ouvir as Escrituras

Alguém vai perguntar como fazer tudo isso. Não precisamos inventar novas estratégias, como se o Evangelho fosse um produto a ser colocado no mercado das religiões. Precisamos redescobrir as formas em que Jesus se aproximou de pessoas e chamou-os, a fim de colocar em prática essas abordagens nas circunstâncias atuais.

Recordamos, por exemplo, como Jesus envolveu Pedro, André, Tiago e João no contexto do seu trabalho, como Zaqueu era capaz de passar da simples curiosidade para o calor de compartilhar uma refeição com o Mestre, como o centurião romano pediu-lhe para curar uma pessoa querida para ele, como o cego de nascença invocou como libertador de sua própria marginalização, como Marta e Maria viu a hospitalidade de sua casa e do seu coração recompensado pela sua presença. Ao passar pelas páginas dos Evangelhos, bem como pelas experiências missionárias dos apóstolos na Igreja primitiva, podemos descobrir as várias formas e circunstâncias em que as vidas pessoas se abriram à presença de Cristo.

A leitura frequente das Sagradas Escrituras – iluminadas pela Tradição da Igreja, que nos as entrega e é a sua  interpretação autêntica – não só é necessária para conhecer o conteúdo do Evangelho, que é a pessoa de Jesus no contexto de história da salvação. Ler as Escrituras também nos ajuda a descobrir oportunidades de encontrar Jesus, abordagens verdadeiramente evangélicas enraizadas nas dimensões fundamentais da vida humana: a família, o trabalho, a amizade, a várias formas de pobreza e as provações da vida, etc.

5. Evangelizar nós mesmos e abrindo-nos à conversão

Nós, no entanto, nunca devemos pensar que a nova evangelização não nos diga respeito da nossa pessoa. Nestes dias as vozes entre os bispos foram levantadas para lembrar que a Igreja deve, antes de tudo dar atenção à palavra antes de que ela poder evangelizar o mundo. O convite para evangelizar torna-se um apelo à conversão.

Acreditamos firmemente que devemos converter-nos primeiro para o poder de Cristo, o único que pode fazer novas todas as coisas, acima de toda a nossa existência pobre. Com humildade, devemos reconhecer que a pobreza e as fraquezas dos discípulos de Jesus, especialmente de seus ministros, pesam sobre a credibilidade da missão. Estamos certamente conscientes – nós, Bispos, em primeiro lugar – que nunca correspondemos ao chamado do Senhor e ao mandato de anunciar o seu Evangelho para as nações. Sabemos que temos que reconhecer humildemente nossa vulnerabilidade, às feridas da história e não hesitar em reconhecer os nossos pecados pessoais. Estamos, no entanto, também convencido de que o Espírito do Senhor é capaz de renovar sua Igreja e tornando-a resplandecente se o deixarmos moldar-nos. Isto é demonstrado pelas vidas dos Santos, a lembrança e a narração dois quais um meio privilegiado da nova evangelização.

Se esta renovação dependesse de nós, haveria sérias razões para duvidar. Mas a conversão na Igreja, assim como a evangelização, não ocorre principalmente por meio de nós, pobres mortais, mas sim através do Espírito do Senhor. Aqui encontramos a nossa força e nossa certeza de que o mal nunca tem a última palavra seja na Igreja ou na história: “Não deixem que seus corações ser agitados ou com medo” (João 14,27), disse Jesus aos seus discípulos.

A obra da nova evangelização repousa sobre esta certeza serena. Estamos confiantes na inspiração e na força do Espírito, que nos ensinará o que devemos dizer e o que estamos a fazer, mesmo nos momentos mais difíceis. É nosso dever, portanto, vencer o medo pela fé, o desânimo pela esperança, a indiferença através do amor.

6. Aproveitando as novas oportunidades para a evangelização no mundo de hoje

Esta coragem serena também afeta a forma como olhamos para o mundo de hoje. Não somos intimidados pelas circunstâncias dos tempos em que vivemos. Nosso mundo está cheio de contradições e desafios, mas continua a ser a criação de Deus. O mundo está ferido pelo mal, mas Deus amá-lo ainda. É o campo em que a semeadura da Palavra pode ser renovado para que ele dê frutos mais uma vez. Não há espaço para pessimismo nas mentes e corações daqueles que sabem que o seu Senhor venceu a morte e que o seu Espírito trabalha com força na história. Abordamos este mundo com humildade, mas também com determinação. Isto vem da certeza de que no final a verdade triunfará. Nós queremos ouvir no mundo o chamado de Cristo ressuscitado para testemunhar a seu nome. Nossa Igreja está viva e enfrenta os desafios que a história traz consigo com a coragem da fé e do testemunho de muitos seus filhos e filhas.

Sabemos que temos de enfrentar neste mundo uma batalha contra os “principados” e “potestades”, “os maus espíritos” (Efésios 6,12). Nós não ignorar os problemas que tais desafios trazer, mas eles não nos assustam. Isto é verdade, sobretudo para os fenômenos da globalização que deve ser para nós a oportunidade de ampliar a presença do Evangelho. Apesar dos sofrimentos intensos dos imigrantes que acolhemos como irmãos e irmãs, as migrações foram e continuam a ser ocasiões para espalhar a fé e construir a comunhão em suas várias formas. Secularização -, bem como a crise que trouxe a dominação da política e do Estado – exige que a Igreja repense sua presença na sociedade, sem, no entanto renunciar a se mesma. As muitas e sempre novas formas da pobreza abrem novas oportunidades para o serviço de caridade: o anúncio do Evangelho compromete a Igreja a estar com os pobres para assumir os seus sofrimentos, como Jesus. Mesmo nas formas mais amargas do ateísmo e do agnosticismo, podemos reconhecer – embora em formas contraditórias – não um vazio, mas um desejo, uma expectativa que aguarda uma resposta adequada.

Em face às questões que as culturas predominantes representam para a fé e para a Igreja, renovamos a nossa confiança no Senhor, certos de que, mesmo nestes contextos, o Evangelho é portador de luz e capaz de curar toda a fraqueza humana. Não somos nós que estamos realizando a obra de evangelização, mas Deus, como o Papa nos lembrou: “A primeira palavra, a verdadeira iniciativa, a atividade verdadeira vem de Deus e apenas colocando-nos na iniciativa divina, apenas por implorando esta iniciativa divina, nós também seremos capazes de se tornar – com ele e nele – evangelizadores “(Bento XVI, Meditação durante a primeira Congregação geral da Assembleia Geral XIII Ordinária do Sínodo dos Bispos, Roma, 8 de outubro de 2012).

7. Evangelização, a vida da família e consagrados

Desde a primeira evangelização, a transmissão da fé de uma geração para a seguinte encontraram um lar natural na família onde as mulheres desempenham um papel muito especial, sem diminuir a figura e a responsabilidade do pai. No contexto dos cuidados que cada família prevê o crescimento de seus pequeninos, os bebês e as crianças são introduzidas para os sinais da fé, a comunicação das verdades primeiras, a educação na oração e no testemunho dos frutos do amor. Apesar da diversidade de suas situações geográficas, culturais e sociais, todos os Bispos do Sínodo reconfirmaram este papel essencial da família na transmissão da fé. A nova evangelização é impensável sem reconhecer a responsabilidade específica de anunciar o Evangelho para as famílias e para sustentá-los na sua tarefa de educação.

Nós não ignoramos o fato de que hoje a família, fundada no casamento de um homem e de uma mulher que os torna “uma só carne” (Mateus 19,6) aberta à vida, é assaltada por crises em todos os lugares. É cercada por modelos de vida que penalizam-na e é negligenciada pela política da sociedade de que é também a célula fundamental. Nem sempre é respeitada em seus ritmos e sustentada nas suas tarefas pelas comunidades eclesiais. É precisamente isso, no entanto, que nos impulsiona a dizer que temos de cuidar especialmente da família e de sua missão na sociedade e na Igreja, e desenvolver de caminhos específicos de acompanhamento antes e depois do matrimônio. Nós também queremos expressar a nossa gratidão aos muitos casais e famílias cristãs que, através do seu testemunho, mostram ao mundo uma experiência de comunhão e de serviço que é a semente de uma sociedade mais amorosa e pacífica.

Nossos pensamentos também foram para as muitas famílias e casais que vivendo juntos, não refletem a imagem de unidade e de amor ao longo da vida que o Senhor nos confiou. Há casais que vivem juntos sem o vínculo sacramental do matrimônio. Mais e mais famílias em situação irregular são estabelecidas após o fracasso de casamentos anteriores. Estas são situações dolorosas que afetam a educação dos filhos e filhas na fé. A todos eles queremos dizer que o amor de Deus não abandona ninguém, que a Igreja os ama, também, que a Igreja é uma casa que acolhe a todos, que eles permaneçam membros da Igreja, mesmo que eles não podem receber a absolvição sacramental e Eucaristia. Que nas nossas comunidades católicas sejam bem acolhidos todos os que vivem em tais situações e acolhidos aqueles que estão no caminho de conversão e reconciliação.

A vida em família é o primeiro lugar em que o Evangelho encontra a vida comum e demonstra sua capacidade de transformar as condições fundamentais da existência no horizonte do amor. Mas não menos importante para o testemunho da Igreja é mostrar como esta existência temporal tem um cumprimento que vai além da história humana e alcança a comunhão eterna com Deus. Jesus não se apresentar à mulher samaritana simplesmente como aquele que dá a vida, mas como aquele que dá “vida eterna” (João 4,14). Dom de Deus, que a fé torna presente, não é simplesmente a promessa de melhores condições neste mundo. É o anúncio de que o significado último da nossa vida está além deste mundo, em que a plena comunhão com Deus, que esperamos no final dos tempos.

Deste horizonte sobrenatural do sentido da existência humana, há testemunhas particulares na Igreja e no mundo nos que o Senhor chamou para a vida consagrada. Precisamente porque é totalmente consagrada a ele no exercício de pobreza, castidade e obediência, a vida consagrada é o sinal de um mundo futuro que relativiza tudo o que é bom neste mundo. Que a gratidão da Assembleia do Sínodo dos Bispos chegue a estes nossos irmãos e irmãs por sua fidelidade ao chamado do Senhor e pela contribuição que eles deram e dão para a missão da Igreja. Nós os exortamos a esperar em situações que são difíceis até mesmo para eles, nestes tempos de mudança. Convidamo-los a estabelecer-se como testemunhas e promotores da nova evangelização nos diversos campos em que o carisma de cada um de seus institutos os coloca.

8. A comunidade eclesial e muitos agentes de evangelização

Nenhuma pessoa ou grupo na Igreja tem direito exclusivo sobre a obra de evangelização. É o trabalho das comunidades eclesiais como tal, onde se tem acesso a todos os meios para encontrar Jesus: a Palavra, os sacramentos, a comunhão fraterna, serviço da caridade, da missão.

Nesta perspectiva, o papel da paróquia surge acima de tudo como a presença da Igreja, onde homens e mulheres vivem “a fonte da aldeia”, como João XXIII gostava de chamá-lo, a partir do qual todos podem beber, encontrando nela o frescor da o Evangelho. Ela não pode ser abandonada, mesmo que as mudanças podem exigir que seja feita de pequenas comunidades cristãs ou para criar vínculos de colaboração dentro de contextos maiores pastorais.
Exortamos nossas paróquias para se juntar às novas formas de missão exigidas pela nova evangelização para o cuidado pastoral tradicional do povo de Deus. Estes também devem permear as várias expressões importantes da piedade popular.

Na paróquia, o ministério do sacerdote – pai e pastor de seu povo – continua a ser crucial. Para todos os sacerdotes, os bispos desta Assembleia sinodal expressas agradecimentos e proximidade fraterna para sua difícil tarefa. Convidamo-los a fortalecer os laços do presbitério diocesano, para aprofundar a sua vida espiritual, e para uma formação contínua que lhes permite enfrentar as mudanças.

Ao lado dos sacerdotes, a presença de diáconos é de ser mantida, assim como a ação pastoral dos catequistas e de muitos outros ministros e animadores nos campos da proclamação, da catequese, da vida litúrgica, e do serviço de caridade. Devem ser promovidas também as diversas formas de participação e corresponsabilidade dos fiéis. Nós não podemos agradecer o suficiente nossos homens e mulheres leigos, pela sua dedicação nos diversos serviços nas suas comunidades. Pedimos a todos eles, também, para colocar a sua presença e seu serviço na Igreja, na perspectiva da nova evangelização, tendo o cuidado de sua formação humana e cristã, a sua compreensão da fé e da sua sensibilidade a fenômenos culturais contemporâneos.

Com relação aos leigos, uma palavra especial vai para as várias formas de associações de antigos e novos, em conjunto com os movimentos eclesiais e as novas comunidades: Todos são uma expressão da riqueza dos dons que o Espírito concede à Igreja. Agradecemos também a essas formas de vida e de compromisso na Igreja, exortando-os a serem fiéis ao seu carisma próprio e de sincera comunhão eclesial, especialmente no contexto concreto das Igrejas particulares.

Testemunhar o Evangelho não é privilégio de um ou de poucos. Nós reconhecemos com alegria a presença de muitos homens e mulheres que com suas vidas se tornam um sinal do Evangelho no meio do mundo. Nós também reconhecê-los em muitos de nossos irmãos e irmãs cristãos com quem, infelizmente, a unidade ainda não está completa, mas são, no entanto, marcados pelo Batismo do Senhor e  pela sua palavra. Nestes dias, foi uma experiência emocionante para nós ouvir as vozes de muitas autoridades das Igrejas e comunidades eclesiais que deram testemunho de sua sede de Cristo e sua dedicação ao anúncio do Evangelho. Eles, também, estão convencidos de que o mundo precisa de uma nova evangelização. Somos gratos ao Senhor por esta unidade na necessidade da missão.

9. Que os jovens podem encontrar Cristo

Os jovens são particularmente querido para nós, porque eles, que são uma parte significativa da humanidade e da Igreja de hoje, são também o seu futuro. Com relação a eles, os bispos estão longe de ser pessimistas. Questionadores sim, mas não pessimistas. Estamos preocupados porque os ataques mais agressivos do nosso tempo acontecer a convergem precisamente sobre eles. Não somos, no entanto, pessimistas, acima de tudo, porque o que se move nas profundezas da história é o amor de Cristo, mas também porque sentimos nos jovens aspirações profundas de autenticidade, de verdade, de liberdade, de generosidade, e porque estamos convencidos de que a resposta adequada é Cristo.

Queremos apoiá-los em sua busca e nós encorajamos nossas comunidades para ouvir, dialogar e responder com audácia e sem reservas para a difícil situação da juventude. Queremos aproveitar de nossas comunidades, não para reprimir o poder de seu entusiasmo, mas para lutar por eles contra as falácias e empreendimentos egoístas dos poderes do mundo que, para sua própria vantagem, procuram dissipar as energias e perder a paixão do jovem, tirando-lhes a grata memória do passado e toda a visão profunda do futuro.

O mundo dos jovens é um campo exigente, mas também particularmente promissor da Nova Evangelização.
Isto é demonstrado por muitas experiências, daquelas que atraem muitos deles como as Jornadas Mundiais da Juventude, como as mais escondidas – mas, no entanto poderosas – como as diferentes experiências de serviço, espiritualidade e missão. Tem que ser  reconhecido o papel ativo dos jovens em primeiro lugar na evangelização do seu próprio mundo.

10. O Evangelho em diálogo com a cultura e experiência humana e com as religiões

A nova evangelização é centrada em Cristo e no cuidado para com a pessoa humana, a fim de dar vida a um encontro real com ele. No entanto, os seus horizontes são tão amplos quanto o mundo e além de qualquer experiência humana. Isso significa que ele cultiva cuidadosamente o diálogo com as culturas, confiante de que ele pode encontrar em cada uma delas as “sementes do Verbo” das quais os antigos Padres falaram. Em particular, a nova evangelização precisa de uma renovada aliança entre fé e razão. Estamos mais que convencidos que a fé tem a capacidade de acolher os frutos de um pensamento aberto à transcendência e a força para curar os limites e as contradições em que a razão pode cair. A fé não é fechar os olhos, nem mesmo diante das perguntas dolorosas resultantes da presença do mal na vida e na história, a fim de invocar a luz da esperança do mistério pascal de Cristo.

O encontro entre a fé e a razão também nutre o compromisso da comunidade cristã no campo da educação e da cultura. As instituições de formação e de pesquisa – escolas e universidades – ocupam um lugar especial no presente. Onde quer que a inteligência humana é desenvolvida e educada, a Igreja tem o prazer de trazer sua experiência e contribuição para a formação integral da pessoa. Neste contexto particular atenção deve ser reservada para as escolas católicas e para as universidades católicas, em que a abertura à transcendência que pertence a cada percurso autêntica cultural e educacional, deve ser cumprida em caminhos de encontro com o evento de Jesus Cristo e da sua Igreja. Que a gratidão dos Bispos chegue a todos os que, em condições difíceis, às vezes, estão envolvidos neste processo.

Evangelização exige que prestemos muita atenção ao mundo da comunicação social, especialmente os novos meios de comunicação, nos quais muitas vidas, dúvidas e expectativas convergem. É o lugar onde as consciências são formadas, em que as pessoas gastam seu tempo e vivem suas vidas. É uma nova oportunidade para tocar o coração humano.

Um campo particular do encontro entre fé e razão, hoje, é o diálogo com o conhecimento científico. Isso não é completamente longe da fé, uma vez que se manifesta o princípio espiritual que Deus colocou em suas criaturas. Ele nos permite ver as estruturas racionais em que se funda a criação. Quando a ciência e a tecnologia não presumem encarcerar humanidade e o mundo em um materialismo estéril, tornam-se um precioso aliado para tornar a vida mais humana. Nossos agradecimentos vão também para aqueles que estão envolvidos neste campo de conhecimento sensível.

Também queremos agradecer a homens e mulheres envolvidos em mais uma expressão do gênio humano, a arte em suas várias formas, desde as mais antigas as mais recentes. Reconhecemos as obras de arte como um modo particularmente significativo de expressar a espiritualidade na medida em que eles se esforçam para incorporar atração da humanidade de beleza. Somos gratos quando os artistas através de suas belas criações realçar a beleza do rosto de Deus e de suas criaturas. O caminho da beleza é um caminho particularmente eficaz da nova evangelização.

Além de obras de arte, toda a atividade humana chama a nossa atenção como uma oportunidade em que podemos cooperar na criação divina através do trabalho. Queremos lembrar ao mundo da economia e do trabalho de algumas questões decorrentes do Evangelho: para redimir o trabalho a partir das condições que muitas vezes tornam um fardo insuportável e um futuro incerto ameaçando pelo desemprego de jovens, de colocar a pessoa humana no centro de desenvolvimento econômico, de pensar esse desenvolvimento como uma ocasião para a humanidade a crescer em justiça e unidade. A humanidade transforma o mundo através do trabalho. No entanto, somos chamados a proteger a integridade da criação de um senso de responsabilidade para com as gerações futuras.

O Evangelho também ilumina o sofrimento causado pela doença. Os cristãos devem ajudar os que se sentir mal que a Igreja está perto de pessoas com a doença ou com deficiência. Os cristãos devem agradecer a todos que cuidar deles profissionalmente e humanamente.

Um campo em que a luz do Evangelho pode e deve brilhar para iluminar os passos da humanidade é a política. Política requer um compromisso de cuidado altruísta e sincero para o bem comum, respeitando plenamente a dignidade da pessoa humana desde a concepção até a morte natural, honrando a família fundada pelo casamento de um homem e uma mulher, e proteger a liberdade acadêmica; removendo as causas da injustiça, a desigualdade, a discriminação, a violência, o racismo, a fome e a guerra. Os cristãos são convidados a dar um testemunho claro do preceito da caridade no exercício da política.

Finalmente, a Igreja considera os seguidores de religiões como seus parceiros naturais no diálogo. Um é evangelizado, porque um está convencido da verdade de Cristo, não porque é um contra o outro. O Evangelho de Jesus é paz e alegria, e os seus discípulos são felizes em reconhecer o que é verdadeiro e bom que o espírito religioso da humanidade foi capaz de vislumbrar no mundo criado por Deus e que se expressou em várias religiões.

O diálogo entre os crentes das diversas religiões pretende ser uma contribuição para a paz. Ele rejeita qualquer fundamentalismo e denuncia toda a violência que tem vindo sobre crentes como graves violações dos direitos humanos. As Igrejas de todo o mundo estão unidas na oração e na fraternidade com os irmãos e irmãs que sofrem e questionam os responsáveis pelos destinos dos povos para salvaguardar o direito de todos à liberdade de escolher, professar e testemunhar a própria fé.

11. Lembrando-se do Concílio Vaticano II e referindo-se ao Catecismo da Igreja Católica no Ano da Fé
No caminho aberto pela Nova Evangelização, que também pode sentir como se estivéssemos em um deserto, no meio de perigos e falta de pontos de referência. O Santo Padre Bento XVI, na homilia da Missa de abertura do Ano da Fé, falou de uma “desertificação “espiritual” que tem avançado nas últimas décadas. Mas ele também encorajou-nos ao afirmar que “justamente a partir da experiência do deserto, a partir desse vazio, nós podemos descobrir de novo a alegria de crer, a sua importância vital para nós, homens e mulheres. É no deserto que se redescobre o valor do que é essencial para a vida “(Homilia para a celebração eucarística de abertura do Ano da Fé, em Roma, 11 de outubro de 2012). No deserto, como a Samaritana, buscamos a água e um poço do qual a beber: bem-aventurado é aquele que encontra Cristo lá. Agradecemos ao Santo Padre para o dom do Ano da Fé, um presente precioso para o caminho da nova evangelização. Agradecemos também por ter ligado este ano para a lembrança grata da abertura do Concílio Vaticano II, 50 anos atrás. Seu magistério fundamental para o nosso tempo brilha no Catecismo da Igreja Católica, que é proposta, uma vez mais, como uma referência segura da fé vinte anos depois de sua publicação. Estes são aniversários importantes, que nos permitem reafirmar nossa adesão aos ensinamentos do Concílio e nosso firme compromisso de continuar a sua implementação.

12. Contemplando o mistério e estar ao lado dos pobres

Nessa perspectiva queremos indicar a todos os fiéis duas expressões da vida de fé que parecem particularmente importante para nós, para testemunhar em Nova Evangelização.

O primeiro é constituído pelo dom e experiência de contemplação. Um testemunho de que o mundo consideraria credível só pode surgir a partir de um olhar de adoração diante do mistério de Deus, Pai, Filho e Espírito Santo, somente a partir do silêncio profundo que recebe a única Palavra que salva, como um útero. Só este silêncio orante pode impedir que a palavra de salvação seja perdida no meio dos muitos barulhos que invadem o mundo.

Nós agora dirigir uma palavra de gratidão a todos os homens e mulheres que dedicam suas vidas à oração e à contemplação nos mosteiros e ermidas. Momentos de contemplação devem entrelaçar com a vida das pessoas comuns: espaços espirituais, mas também físicos, que nos lembram de Deus; santuários interiores e templos de pedra que, como na encruzilhada, nos impedem de nos perdermos em uma inundação de experiências; oportunidades em que todos pudessem sentir-se aceitos, mesmo aqueles que mal sabem o que e quem procurar.

O outro símbolo de autenticidade da nova evangelização tem o rosto dos pobres. Colocando-nos lado a lado com aqueles que estão feridos pela vida não é apenas um exercício social, mas acima de tudo um ato espiritual, porque é o rosto de Cristo que resplandece no rosto dos pobres: “O que você fez para um destes irmãos meus, você fez por mim” (Mateus 25,40).

Temos que reconhecer o lugar privilegiado dos pobres em nossas comunidades, um lugar que não exclui ninguém, mas também refletir como Jesus se uniu a eles. A presença dos pobres em nossas comunidades é misteriosamente poderosa: ela muda as pessoas mais do que um discurso faz, ela ensina a fidelidade, faz-nos compreender a fragilidade da vida, ela pede oração: em suma, traz-nos a Cristo.

O gesto de caridade, por outro lado, também deve ser acompanhada de compromisso com a justiça, com um apelo que diz respeito a todos, pobres e ricos. Portanto, a doutrina social da Igreja é parte integrante dos caminhos da nova evangelização, bem como a formação dos cristãos para se dedicar a servir a comunidade humana na vida social e política.

13. Para as Igrejas nas diversas regiões do mundo

A visão dos Bispos reunidos na Assembleia Sinodal abraça todas as comunidades eclesiais espalhadas pelo mundo. Sua visão procura ser abrangente, porque o chamado a encontrar Cristo é um, reconhecendo a diversidade.

Os bispos reunidos no Sínodo deram atenção especial, cheia de afeto fraterno e gratidão, a vocês, cristãos das Igrejas católicas orientais, aqueles que são herdeiros da primeira onda de evangelização – uma experiência preservada com amor e fidelidade – e as pessoas presentes no Leste Europa. Hoje, o Evangelho vem a você de novo em uma nova evangelização através da vida litúrgica, a catequese, a oração familiar diária, jejum, a solidariedade entre as famílias, a participação dos leigos na vida das comunidades e no diálogo com a sociedade. Em muitos lugares, as suas igrejas estão em meio a provações e tribulações através do qual testemunham a sua participação nos sofrimentos de Cristo. Alguns fiéis são obrigados a emigrar. Mantendo viva a sua unidade com sua comunidade de origem, eles podem contribuir para o cuidado pastoral e para o trabalho de evangelização nos países que os acolheram. Que o Senhor continue a abençoar sua fidelidade. Que o seu futuro, ser marcada pela confissão serena e prática de sua fé em paz e liberdade religiosa.

Esperamos que vocês, cristãos, homens e mulheres, que vivem nos países da África e expressamos nossa gratidão pelo seu testemunho do Evangelho, muitas vezes em circunstâncias difíceis. Nós vos exortamos a reavivar a evangelização que você recebeu nos últimos tempos, para a construção da Igreja como família de Deus, para fortalecer a identidade da família, para sustentar o compromisso de sacerdotes e catequistas, especialmente nas pequenas comunidades cristãs. Afirmamos a necessidade de desenvolver o encontro entre o Evangelho e as culturas antigas e novas. Grande expectativa e um forte apelo são dirigidos ao mundo da política e os governos de vários países da África, para que, em colaboração com todas as pessoas de boa vontade, podem ser promovidos os direitos humanos básicos e livrar o continente da violência e dos conflitos que ainda o afligem.

Os Bispos da Assembleia Sinodal convida os cristãos da América do Norte, para responder com alegria ao chamado para uma nova evangelização, enquanto eles olham com gratidão a forma como as suas jovens comunidades cristãs têm dado frutos generosos de fé, caridade e missão. É preciso reconhecer as muitas expressões da cultura presente nos países de seu mundo que são hoje muito longe do Evangelho. A conversão é necessária, a partir dum compromisso que não lhe traz fora de suas culturas, mas deixa-os no meio deles para oferecer a todos a luz da fé e do poder da vida. Como você bem-vindos em suas terras generosas novas populações de imigrantes e refugiados, que você esteja disposto a abrir as portas de suas casas para a fé. Fiel aos compromissos assumidos na Assembleia sinodal para a América, estar unidos com a América Latina na evangelização contínua do continente que você compartilham.

A Assembleia Sinodal abordou o mesmo sentimento de gratidão para com a Igreja na América Latina e no Caribe. Particularmente notável ao longo dos tempos é o desenvolvimento em seus países de formas de religiosidade popular ainda fixadas nos corações de muitas pessoas, do serviço caritativo e do diálogo com as culturas. Agora, em face dos muitos desafios atuais, em primeiro lugar da pobreza e da violência, a Igreja na América Latina e no Caribe é encorajada a viver em um estado permanente de missão, anunciar o Evangelho com esperança e alegria, formando comunidades de verdadeiros missionários discípulos de Jesus Cristo, mostrando-se no compromisso de seus filhos e filhas como o Evangelho pode ser a fonte de uma nova sociedade, justa e fraterna. O pluralismo religioso também testa suas Igrejas e exige um renovado anúncio do Evangelho.

A você, cristãos da Ásia, oferecemos também uma palavra de encorajamento e de exortação. Como uma pequena minoria no continente que abriga quase dois terços da população do mundo, a sua presença é uma semente fecunda em confiar na força do Espírito, que cresce em diálogo com as diversas culturas, com as antigas religiões e com os pobres incontáveis. Embora muitas vezes marginalizada pela sociedade e em muitos lugares também perseguida, a Igreja da Ásia, com a sua fé firme, é uma presença valiosa do Evangelho de Cristo que anuncia a vida, justiça e harmonia. Cristãos da Ásia, sentindo a proximidade fraterna de cristãos de outros países do mundo, não se pode esquecer que em seu continente – na Terra Santa – Jesus nasceu, viveu, morreu e ressuscitou dos mortos.

Os bispos dirigem uma palavra de gratidão e de esperança para as Igrejas do continente europeu, em parte, marcada hoje por um forte – às vezes até agressiva – secularização, e em parte ainda ferido por muitas décadas de regimes com ideologias hostis a Deus e à humanidade. Nós olhamos com gratidão para com o passado, mas também para o presente, em que o Evangelho criou em Europa expressões e experiências particulares de fé – muitas vezes ricas de santidade – que tem sido decisivas para a evangelização de todo o mundo: o pensamento teológico rico, várias expressões carismáticas, várias formas de serviço de caridade para os pobres, profundas experiências contemplativas, a criação de uma cultura humanista que tem contribuído para a definição da dignidade da pessoa e moldar o bem comum. Amados cristãos da Europa as atuais dificuldades podem deprimi-los: você pode considerá-las sim como um desafio a ser superado e uma ocasião para uma mais alegre e proclamação viva de Cristo e do seu Evangelho da vida.

Finalmente, os bispos da assembleia sinodal cumprimentam as pessoas da Oceania, que vivem sob a proteção do Cruzeiro do Sul, querem lhes agradecer o seu testemunho do Evangelho de Jesus. A nossa oração por você é que você pode sentir uma sede profunda de vida nova, como a mulher samaritana no poço, e que você pode ser capaz de ouvir a palavra de Jesus que diz: “Se tu conhecesses o dom de Deus” (João 4,10). Que você possa sentir mais fortemente o compromisso de anunciar o Evangelho e fazer Jesus conhecido no mundo de hoje. Vos exortamos a encontrá-lo em sua vida diária, para ouvi-lo e descobrir, através da oração e da meditação, a graça de ser capaz de dizer: “Nós sabemos que este é verdadeiramente o Salvador do mundo” (João 4,42 ).

14. A estrela de Maria ilumina o deserto

Chegando ao fim desta experiência de comunhão entre os Bispos de todo o mundo e de colaboração com o ministério do Sucessor de Pedro, ouvimos ecoar em nós o comando real de Jesus aos seus apóstolos: “Ide e fazei discípulos de todas as nações [ ...] e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos “(Mt 28:19,20). A missão da Igreja não é dirigida a uma área geográfica única, mas vai para as profundezas muito ocultas dos corações de nossos contemporâneos para atraí-los de volta para um encontro com Jesus, o Vivente que se faz presente em nossas comunidades.

Esta presença enche nossos corações de alegria. Grato pelos dons recebidos dele nestes dias, nós levantamos a ele o hino de louvor: “Minha alma proclama a grandeza do Senhor [...] O Poderoso fez em mim grandes coisas” (Lc 1,46. 49). Nós fazemos as palavras de Maria nossa: o Senhor realmente fez grandes coisas para a sua Igreja ao longo dos séculos, em várias partes do mundo e nós queremos engrandecer ele, certo de que ele não vai deixar de olhar para a nossa pobreza, a fim de mostrar a força de sua braço em nossos dias e para nos sustentar no caminho da nova evangelização.

A figura de Maria nos guia no nosso caminho. Nossa jornada, como o Papa Bento XVI nos disse, pode parecer um caminho através do deserto, sabemos que devemos levá-lo, trazendo-nos o que é essencial: o dom da companhia Jesus, a verdade de sua palavra, a pão eucarístico que nos alimenta, a comunhão da comunhão eclesial, o impulso da caridade. É a água do poço, que faz com que o deserto florescer. Como estrelas brilham mais intensamente durante a noite no deserto, para que a luz de Maria, a Estrela da nova evangelização, brilhantemente brilha no céu em nosso caminho. Nela confiantemente nós confiamos.

Fonte: CNBB

5 de novembro de 2012

Atentado contra Igreja no Quênia

Igreja onde aconteceu o atentado. A violência anti-cristã tem se intensificado no Quênia
Uma Igreja Católica na cidade de Garissa, no leste do Quênia, foi atacada neste domingo durante a celebração da missa dominical. Um policial morreu e pelo menos 10 pessoas ficaram gravemente feridas quando uma granada foi lançada no interior do templo.

A violência anti-cristã tem se intensificado no Quênia desde que o governo enviou tropas a Somália para combater a milícia integralista al-Shebaab, ligada a Al-Qaeda. Em Julho um ataque a duas igrejas provocou a morte de 18 pessoas em Guarissa, enquanto no mês de setembro uma granada lançada contra uma igreja em Nairóbi provocou a morte de uma criança de 9 anos e ferimentos em dezenas de fiéis. Os ataques foram atribuídos a simpatizantes de milícias islâmicas. (JE)

Na Alemanha, católicos convidam protestantes para celebrar ecumenicamente os 500 anos da Reforma

O Comitê Central dos Católicos Alemães (ZDK) convidou ontem os protestantes para celebrar de forma ecumênica o quinto centenário da Reforma a ser festejado em 2017. O convite foi feito durante a realizaçãodo Sínodo da Igreja Evangélica na Alemanha (EKD), realizado na cidade de Lubeck.

Falando no Sínodo protestante, o presidente do comitê católico, Alois Glück destacou que "cada vez é mais evidente que existem muito mais coisas em comum do que coisas que separam as duas Igrejas, e que existe uma vontade de continuar a crescer juntos”, refere a Agência Sir. Gluck falou ainda sobre os grandes desafios dos cristãos atualmente, entre os quais “a necessidade da transmissão da fé” e “a nova intolerância em relação às religiões na aparência de uma ideologia secular agressiva”.

Também o presidente do Conselho dos protestantes, Nikolaus Schneider, criticou a difusão de comportamentos críticos e agressivos em relação às religiões, como aquela recente polêmica em relação à cincuncisão. Por outro lado, Schneider destacou as “numerosas atividades sobre a base dos recentes acordos entre firmados entre a Conferência episcopal alemã e o Conselho dos Católicos em preparação as comemorações em 2017. (JE)

Agenda de Eventos / Novembro


NOVEMBRO/ 2012
Dia 03: Reunião da CPP
Local: Matriz de Sant'Ana
Horário: 14:30h
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Dia 09 a 11: Assembléia Diocesana de Pastoral
Responsável: Diocese de Bacabal
Local: Centro Franciscano de Animação Missionária
Horário: Início a partir das 19:00h (sexta-feira) até 12:00h (domingo)

Mais informações: >>Clique aqui
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Dia 10: Abertura do Ano da Fé a Nível Diocesano
Responsável: Diocese de Bacabal
Local: Catedral Diocesana Santa Teresinha
Horário: 18:00h

Mais informações: >>Clique aqui
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Dia 11: Celebração do Sacramento do Batismo
Local: Matriz de Sant'Ana
Horário: 09:30h
Celebrante: Frei Ribamar

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Dia 13: Missa de Nossa Senhora
Local: Matriz de Sant'Ana
Horário: 12:00h
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De 16 a 18: 7º Encontro de Casais com Cristo (ECC)
Local: Centro de Ensino Médio Profª. Leda Maria Chaves Tajra
Horário: Início às 19:30h
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Dia 18: 1º Alegrai-Vos
Responsável: Pastoral Vocacional
Local: Comunidade São José (Juçaral)
Horário: Início às 07:00h

Mais informações: >>Clique aqui ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Dia 22: Missa de Formatura
Local: Matriz de Sant'Ana
Horário: 19:00h
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Dia 25: Celebração do Sacramento do Batismo
Local: Matriz de Sant'Ana
Horário: 09:30h
Celebrante: Frei Cláudio


Mais informações: >>Clique aqui 
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De 29/11 a 08/12: Festejo de Nossa Senhora da Conceição
Local: Comunidade Nossa Senhora da Conceição
Horário: 19:30h

Este espaço é destinado a divulgar as atividades de todos os grupos, pastorais e movimentos da Paróquia de Sant'Ana. Para divulgá-las, as informações deverão ser enviadas para lourival.as@hotmail.com


Menina carioca de 9 anos pode ser beatificada

A menina carioca de nove anos, Odette Vidal de Oliveira, mais conhecida como “Odetinha”, pode se tornar uma beata brasileira. A Congregação para as Causas dos Santos, órgão do Vaticano, aprovou na quarta-feira, 31 de outubro, o início do seu processo de beatificação.

A partir de janeiro de 2013, deve ser aberto o processo na fase diocesana, a fim de reunir todo histórico, depoimentos e detalhes sobre a vida da jovem.

Mística da Eucaristia, ao receber a comunhão, com apenas 7 anos de idade, ela já tinha abertura de coração para pedir: “Oh meu Jesus, vinde agora ao meu coração!”.

Reconhecendo sua fé viva, sua confiança inabalável e intenso amor por Deus e pelo próximo, a Igreja no Rio de Janeiro criou uma comissão coordenada pelo Vigário Episcopal para a Vida Consagrada, Dom Roberto Lopes, para apresentar a candidata oficialmente à Congregação para as Causas dos Santos.

"O primeiro passo foi apresentar a Odetinha, fazendo o pedido oficial à Congregação para as Causas dos Santos, para darmos o início às pesquisas. O Arcebispo do Rio, Dom Orani João Tempesta, abençoou e assinou esse nosso pedido e, agora, a Congregação já responde àquilo que nós estávamos esperando, que é o 'nihil obstat'. O próximo passo é a abertura do processo arquidiocesano. Temos como projeto que, no dia 18 de janeiro de 2013, durante a festa de São Sebastião, se faça essa abertura, quando Dom Orani vai nomear o tribunal, com todos os responsáveis e, a partir daí, a equipe vai convocar todas as pessoas que por ventura tiveram contato com a Odetinha, para que as mesmas respondam perguntas a seu respeito. A ideia inicial é que também, no dia 20 de janeiro, tenhamos uma Missa na Catedral, onde seja designada a Igreja para a qual Odetinha será levada e onde vão ficar suas relíquias. Teremos a exumação de seu corpo e uma série de atividades vão acontecer até o mês de janeiro, preparando tudo isso", contou Dom Roberto.

“Nihil obstat” é uma expressão do latim que significa "nada impede". É a aprovação oficial, do ponto de vista moral e doutrinário, realizada por um órgão da Igreja Católica.

Breve Histórico

Odette Vidal de Oliveira nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 15 de setembro de 1930. Chamada carinhosamente pelos pais de “Odetinha”, lírio de pureza e caridade, dotada de um amor extraordinário a Jesus Eucarístico, ia à missa com sua mãe. Desde muito pequena, aos quatro anos, já possuía colóquios íntimos com o Senhor Sacramentado.

Tendo se mudado para o bairro de Botafogo, na zona sul do Rio, fez a sua Primeira comunhão no Colégio São Marcelo, da Paróquia Imaculada Conceição, ao lado de sua casa, em 15 de agosto de 1937, aos sete anos de idade. Desde então, ao receber a comunhão, dizia: “Oh meu Jesus, vinde agora ao meu coração!”. Seu confessor atestou sua fé viva, confiança inabalável, intenso amor a Deus e ao próximo.

Demonstrou profunda caridade para com os pobres e a busca da santidade de forma impressionante e extraordinária para uma criança tão nova. Inserida de fato na causa de promoção dos mais carentes, gostava muito de ajudá-los com obras concretas de misericórdia, e atividades caritativas semanais (sua mãe fazia uma feijoada aos sábados para os pobres a seu pedido e ela colocava seu avental e servia a todos alegremente). Irradiou e inspirou uma imensa obra social, assumida com seriedade pelos seus pais, tornando-os grandes apóstolos da caridade por toda sua vida. Estes colaboraram efetivamente com muitos Institutos de Vida Religiosa, salvando alguns da falência, além do trabalho com as meninas órfãs (um pedido de Odetinha), até hoje administrado por religiosas e voluntários.

Sua piedade explica o segredo de todo o bem que realizou com máxima paciência, admirada por todos até o fim. A modéstia e o pudor foram um grande sinal de uma alma pura e boa, nos divertimentos mais inocentes de sua infância. Amava os lírios e rezava o terço diariamente, revelando, assim, sua confiança total em Nossa Senhora. Queixava-se, ainda, pelo fato de São José, que tanto trabalhou e sofreu por Jesus e Nossa Senhora, ser tão pouco honrado.

Nos últimos quarenta e nove dias de sua vida sofreu dolorosa enfermidade – paratifo, suportada com paciência cristã. No leito de dor, dizia: “Eu vos ofereço, ó meu Jesus, todos os meus sofrimentos pelas missões e pelas crianças pobres (Cf. Ef. 5, 1-2)”. No dia de sua morte, ocorrida em 25 de novembro de 1939, Odetinha recebeu a Sagrada Comunhão às 7h30min e na ação de graças disse: “Meu Jesus, meu amor, minha vida, meu tudo”. Assim, serenamente, às 8h20min entregou sua alma inocente a Deus.

Ele escolhe tantas vezes os pequeninos para tornar mais evidente as maravilhas de sua Graça. “Foi arrebatada para que a malícia não lhe mudasse o modo de pensar ou para que as aparências enganadoras não seduzissem a sua alma”. (Sb. 4,11).

Seu túmulo situa-se na quadra 06, n.º. 850, no Cemitério São João Batista (Botafogo). Até hoje é um dos mais visitados, sobretudo aos sábados e domingos, por inúmeras pessoas que ali acorrem para agradecer benefícios espirituais e temporais que atribuem à sua intercessão junto a Deus. Sua biografia oficial, lançada no ano seguinte de sua morte pelo Padre Afonso Maria Germe, causou grande comoção na sociedade carioca.

Eis como Odetinha rezava seu “Tercinho de amor”: nas contas pequenas – “Meu Jesus eu vos amo!”; nas contas grandes – “Quero passar meu céu fazendo bem à terra”; nas três últimas contas – “Meu Jesus, abençoai-me, santificai-me, enchei o meu coração de vosso amor”.

Oração
Ó querido Jesus, que escolhestes as criancinhas, curando-as e as abençoando, demonstrando particular predileção por elas, que Vos louvam com um louvor perfeito e revelando, assim, o Reino de Deus aos menos favorecidos da sociedade, aos simples e aos humildes.

Olhai com carinho nosso pedido, pelos méritos infinitos de Vosso Santíssimo Coração e do Coração Imaculado da Santíssima Virgem que, se for para a Vossa maior Glória e bem de nossas almas, Vos digneis glorificar, diante de toda a Igreja, a menina Odete Vidal de Oliveira (Odetinha), lírio de pureza e caridade da Igreja Particular de São Sebastião do Rio de Janeiro e exemplo de vida para o povo de Deus.

Unidos em Comunhão eucarística e guiados pela doçura do Espírito Santo, concedei-nos, por sua intercessão, a graça que Vos pedimos. Amém.

Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória ao Pai.

Papa envia mensagem para novo Patriarca da Igreja Ortodoxa

O Papa Bento XVI enviou uma mensagem ao novo Chefe da Igreja Ortodoxa Copta, Sua Santidade Anba Tawadros, eleito Papa de Alexandria e Patriarca da Sé de Marcos. O nome do novo patriarca foi anunciado neste domingo, 4, na catedral copta do Cairo, no Egito.

Na mensagem, Bento XVI exprime a sua alegria ao receber a notícia da eleição do Patriarca e diz que está confiante de que, assim como seu predecessor Shenouda II, o novo patriarca será um “verdadeiro pai espiritual” para sua comunidade. Veja abaixo a íntegra da mensagem:

“Fiquei repleto de alegria ao saber de sua eleição como Papa de Alexandria e patriarca da Sé de Marcos e eu, de bom grado, estendo ao senhor e ao clero e fiéis da Igreja Ortodoxa Copta meus bons votos e solidariedade orante, pedindo ao Senhor que derrame suas bençãos abundantes sobre o ministério sublime que o senhor está prestes a assumir. Estou confiante de que, como o seu famoso predecessor Papa Shenouda III, o senhor será um autêntico pai espiritual para o seu povo e um guia eficaz para todos os seus concidadãos na construção do novo Egito em paz e harmonia, servindo o bem comum e o bem de todo o Oriente Médio. Nestes tempos difíceis, é importante para todos os cristãos dar testemunho do amor e da amizade que os une, atentos à oração feita pelo nosso Senhor na Última Ceia: que todos sejam um, para que o mundo creia (Jo 17, 21). Agradeço a Deus pelos importantes progressos realizados, sob a lideranda de seu estimado predecessor, nas relações entre a Igreja Ortodoxa-Copta e a Igreja Católica, e eu sinceramente espero e rezo para que nossa contínua amizade e diálogo, guiados pelo Espírito Santo, dê frutos em uma sempre mais estreita solidariedade e reconciliação duradoura. Possa o nosso Pai Celestial encher-vos de paz e força para a nobre tarefa que vos espera.”

Primeira Eucaristia – Comunidade Santo Antonio

Pe. Cláudio junto às crianças neocomungantes
No último sábado (03) a Comunidade Santo Antonio pôde reunir-se para celebrar dois momentos importantes: a Solenidade de Todos os Santos e, na ocasião, proporcionar a 18 crianças e adolescentes a primeira participação no Banquete da Eucaristia.

Durante algum tempo, o grupo foi acompanhado pelas catequistas Romeriana e Maria José, sob a coordenação de Selma Batista. A partir do momento em que foi marcada a data da celebração de Primeira Eucaristia, foram momentos de preparação e ensaios para que tudo corresse perfeitamente, como de fato aconteceu. A partir das 19:00h, as crianças já se encontravam na igreja com seus pais e familiares para esse momento tão marcante em suas vidas. E antes do início da Missa, uma conversa com padre Cláudio, que tem envolvido as crianças nesse mistério de uma forma magnífica. No dia anterior, já havia realizado um momento de espiritualidade com a turma, o que foi muito positivo.
Bolo preparado pelas catequistas às crianças
Em sua homilia, o sacerdote destacou a importância daquele momento, não só para as crianças, mas para toda a comunidade e a família, a quem se direcionou relembrando do papel importantíssimo que tem para com aquelas crianças. O testemunho e a participação – segundo ele – , são fundamentais para que a caminhada do grupo não pare ali. E destacou alguns pontos importantes para a boa participação nas celebrações, chamando atenção para algumas dificuldades que as pessoas ainda têm em relação à Missa.

Após o momento principal – o de receber pela primeira vez o Corpo e Sangue do Senhor, Pe. Cláudio chamou à frente as catequistas e a coordenadora da catequese, a quem agradeceu e convidou a comunidade a rezar por elas. Logo após, convidou a assembléia a cantar parabéns as crianças, a quem fez questão de cumprimentar uma por uma. Depois da bênção, todos puderam participar de um momento de confraternização, onde foi oferecido uma pequena, mas significativa festa para comemorar tão feliz data.

Em nome de Frei Ribamar e da Coordenação Paroquial de Catequese, agradecemos o carinho e o empenho das catequistas, coordenadora e da própria comunidade durante todos esses anos a esse grupo de crianças. Parabéns e que Deus possa recompensar esse gesto de amor!

Veja mais fotos da celebração:
Fotografia: Lourival Albuquerque

3 de novembro de 2012

Como evangelizar os meus filhos?

Os pais não devem apenas mandar os filhos para a igreja, mas levá-los
A Igreja ensina que os primeiros catequistas são os pais. É no colo deles que toda criança deve aprender a conhecer a Deus, aprender a rezar e dar os primeiros passos na fé; conhecer os Mandamentos e os Sacramentos.

Os pais são educadores naturais, e os filhos assimilam seus ensinamentos sem restrições. Será difícil levar alguém para Deus se isso não for feito, em primeiro lugar, pelos pais. É com o pai e a mãe que a criança tem de ouvir em primeiro lugar o nome de Jesus Cristo, Sua vida, Seus milagres, Seu amor por nós, Sua divindade, Sua doutrina… Eles são os responsáveis a dar-lhes o batismo, a primeira comunhão, a crisma e a catequese.Quando fala aos pais sobre a educação dos filhos, São Paulo recomenda: “Pais, não exaspereis os vossos filhos. Pelo contrário, criai-os na educação e na doutrina do Senhor” (Ef 6, 4). Aqui está uma orientação muito segura para os pais. Sem a “doutrina do Senhor”, não será possível educar. Dom Bosco, grande “pai e mestre da juventude”, ensinava que não é possível educar sem a religião. Seu método seguro de educar estava na trilogia: amor – estudo – religião.

Nunca esqueci o terço que aprendi a rezar aos cinco anos de idade, no colo de minha mãe. Pobre filho que não tiver uma mãe que o ensine a rezar! Passei a vida toda estudando, cheguei ao doutorado e pós-doutorado em Física e nunca consegui esquecer a fé que herdei de meus pais; é a melhor herança que deles recebi. Não é verdade que a ciência e a fé são antagônicas; essa luta só existe no coração do cientista que não foi educado na fé, desde o berço.

Os pais não devem apenas mandar os seus filhos à igreja, mas, devem levá-los. É vendo o pai e a mãe se ajoelharem que um filho se torna religioso, mais do que ouvindo muitos sermões. A melhor maneira de educar, também na fé, é pelo exemplo. Se os pais rezam, os filhos aprender a rezar; se os pais vivem conforme a lei de Deus, os filhos também vão viver assim, e isso se desdobra em outros exemplos. Os genitores precisam rezar com os filhos desde pequenos, cultivar em casa um lar católico, com imagens de santos em um oratório, o crucifixo nas paredes, etc.; tudo isso vai educando os filhos na fé. Alguém disse, um dia, que “quando Deus tem seu altar no coração da mãe, a casa toda se transforma em um templo.”

Um aspecto importante da educação religiosa de nossos filhos está ligado à escola. Infelizmente, hoje, se ensina muita coisa errada em termos de moral nas escolas; então, os pais precisam saber e fiscalizar o que os filhos aprendem ali. Infelizmente, hoje, o Governo está colocando até máquinas para distribuir “camisinhas” nesses locais. Os filhos precisam em casa receber uma orientação muito séria sobre a péssima “educação sexual” que hoje é dada em muitas escolas, a fim de que não aprendam uma moral anticristã.

Outro cuidado que os pais precisam ter é com a televisão; saber selecionar os programas que os filhos podem ver, sem violência, sem sexo, sem massificação de consumo, entre outros. Hoje temos boas emissoras religiosas. A televisão tem o seu lado bom e o seu lado mau. Cabe a nós saber usá-la. Uma criança pode ficar até cerca de 700 horas por ano na frente de um televisor ligado. Mais uma vez aqui, é a família que será a única guardiã da liberdade e da boa formação dessa criança. Os pais precisam saber criar programas alternativos para tirá-las da frente do televisor, oferecendo-lhes brinquedos, jogos, contando-lhes histórias, etc.. Da mesma forma, ocorre com a internet: os pais não podem descuidar dela.

Mas, para levar os filhos para Deus é preciso também saber conquistá-los. O que quer dizer isso? Dar a eles tudo o que querem, a roupa da moda, a camisa de marca, o tênis caro? Não! Você os conquista com aquilo que você é para o seu filho, não com aquilo que você dá a ele. Você o conquista dando-se a ele; dando o seu tempo, o seu carinho, a sua atenção, ajudando-o sempre que ele precisa de você. Saint-Exupéry disse no livro “O Pequeno Príncipe”: “Foi o tempo que você gastou com sua rosa que a fez ser tão importante para você”.

Diante de um mundo tão adverso, que quer arrancar os filhos de nossas mãos, temos de conquistá-los por aquilo que “somos” para eles. É preciso que o filho tenha orgulho dos pais. Assim será fácil você levá-lo para Deus. Muitos filhos não seguem os pais até a igreja porque não foram conquistados por estes.
Conquistar o filho é respeitá-lo; é não o ofender com palavras pesadas e humilhantes quando você o corrige; é ser amigo dos seus amigos; é saber acolhê-los em sua casa; é fazer programas com ele, é ser amigo dele. Enfim, antes de dizer a seu filho “Jesus te ama”, diga-lhe: “eu te amo”.

Prof. Felipe Aquino

Papa celebra Missa em sufrágio dos bispos e cardeais falecidos

O Papa Bento XVI presidiu na manhã deste sábado, 3, na Basílica de S. Pedro, a Santa Missa em sufrágio dos Cardeais e Bispos que faleceram no decorrer do ano.

Na homilia, o Pontífice afirmou que nos nossos corações ainda está presente o clima do Dia de Finados. Em especial, a visita aos cemitérios nos permitiu renovar o elo com as pessoas queridas que nos deixaram. Assim, os locais da sepultura constituem uma espécie de assembleia, na qual os vivos encontram seus mortos e com eles reforçam os vínculos de uma comunhão que a morte não pôde interromper. “E aqui em Roma, nas catacumbas, sentimos, como em nenhum outro lugar, os elos profundos com a antiga cristandade”, disse o Papa.

Mas como nós cristãos respondemos à questão da morte?, questionou o Pontífice. Respondemos com a fé em Deus, com um olhar de esperança sólida que se fundamenta na Morte e na Ressurreição de Jesus Cristo. A morte, então, abre à vida, à vida eterna, que não é reprodução infinita do tempo presente, mas algo completamente novo.

A fé nos diz que a verdadeira imortalidade à qual aspiramos não é uma ideia, um conceito, mas uma relação de comunhão plena com o Deus vivo: é o estar em suas mãos, no seu amor, e se tornar Nele uma só coisa com todos os irmãos e irmãs que Ele criou e redimiu, com toda a criação.

Neste clima de fé e de oração, disse o Papa, estamos reunidos em torno do altar para oferecer o Sacrifício eucarístico em sufrágio dos Cardeais, dos Arcebispos e dos Bispos que, durante o último ano, terminaram sua existência terrena.

De modo especial, Bento XVI recordou os Cardeais John Patrick Foley, Anthony Bevilacqua, José Sánchez, Ignace Moussa Daoud, Luis Aponte Martínez, Rodolfo Quezada Toruño, Eugênio de Araújo Sales, Paul Shan Kuo-hsi, Carlo Maria Martini e Fortunato Baldelli.

Recordando o testemunho desses irmãos, disse o Papa, podemos reconhecer neles “amigos do Senhor”, “agentes de paz” que nas dificuldades e também nas perseguições mantiveram a alegria da fé. Os Pastores que hoje recordamos, acrescentou, serviram a Igreja com fidelidade e amor, enfrentando às vezes provas difíceis para garantir ao rebanho a eles confiado atenção e cuidado. Na variedade de seus talentos, ofereceram uma contribuição preciosa ao período pós-conciliar, tempo de renovação em toda a Igreja.

“À existência humana do Filho de Deus se acrescenta a de sua Mãe Santíssima. Os nossos Irmãos Cardeais e Bispos foram amados com predileção pela Virgem Maria e retribuíram seu amor com devoção filiar. Confiemos a ela suas almas. E nós elevamos a Deus a nossa oração por eles, amparados pela esperança de nos encontrarmos todos juntos um dia, unidos para sempre no Paraíso”, concluiu o Papa.

As intenções de orações do Papa para novembro

Mensalmente o Santo Padre indica ao “Apostolado da Oração” as intenções que ele tem em suas orações e convida todos os católicos a unirem suas orações às dele.

Para o mês de novembro as intenções de orações do Santo Padre são: rezar “pelo clero e pela vocação e missão da Igreja”. Como intenção geral para este mês, o Papa pede orações “para que os bispos, os sacerdotes e todos os ministros do Evangelho dêem um testemunho corajoso de fidelidade ao Senhor crucificado e ressuscitado".

O Pontífice tem também, cada mês, uma intenção missionária. As intenções missionárias para o mês de novembro são “para que a Igreja peregrina sobre a terra resplandeça como luz das nações”. (SP)

Celebrando 44 anos, a Diocese de Bacabal institui o grau de Leitorato aos candidatos a Diáconos Permanentes

Leitores instituídos e futuros diáconos permanentes da Diocese de Bacabal ao lado do seu Pastor e Ir. Ísis
Centenas de pessoas reuniram-se no largo do Centro Paroquial de Santa Teresinha para celebrar junto ao bispo diocesano e alguns padres o 44° aniversário da Diocese de Bacabal. Na oportunidade, 13 candidatos ao Diaconato Permanente da Escola Santo Estêvão foram instituídos na ordem do Leitorato.
Apresentação dos candidatos diante do Bispo

Depois de longa caminhada, os treze homens começam a receber as primeiras ordens: Leitorato, depois de algum tempo Acolitato e em seguida o Diaconato, ordem essa que estão em busca. Da Paróquia Santa Teresinha temos: Airton de Sousa Lima, João Bosco de Melo e Silva, Antonio Alves de Sousa, José Antonio Pereira e Renato Negreiros Vicente Silva; São Francisco das Chagas: Cecílio da Costa Frasão Filho e Ronaldo Batista Araújo; Sant’Ana: Almir Alves de Sousa, Ariosvaldo Dias Neres, Benevaldo de Castro dos Reis e Gileno Soares Rocha; São Luis Gonzaga: Osvaldo de Amorim Corrêa; São Benedito (Pedreiras-MA): José Raimundo da Silva.
Ao início da celebração, o bispo Diocesano falou da alegria de poder estar celebrando essa data tão especial, que é o aniversário da Diocese e a instituição desses homens que prestarão relevantes serviços à essa Igreja Particular. Após a leitura do Evangelho, Padre Lauro chamou a cada um e saindo do meio do povo, do lado de suas esposas, eles foram chegando à frente, manifestando a sua presença. Em seguida, Dom Armando proferiu a homilia lembrando aos fiéis que esse é uma novidade em nossa diocese. Segundo ele, a grandeza de ser cristão consiste em levar a Palavra a crianças, jovens e adultos e principalmente testemunhá-la, vivê-la com fidelidade. E, recebendo o grau do Leitorato, os futuros diáconos devem desenvolver essa tarefa com mais ardor ainda. Após esse momento de reflexão, foram chamados diante do bispo para receberem das mãos do Pastor Diocesano uma edição das Sagradas Escrituras, principal símbolo do Ministério. Respondendo afirmamente, se comprometeram a trabalhar zelosamente por conhecer mais profundamente a verdade revelada e implorar com insistência de Deus o Dom da Sabedoria (LG 35).
Os quatro candidatos ao Diaconato da Paróquia de Sant'Ana
Nesse dia também lembrou-se o aniversário da eleição de Dom Armando ao episcopado. O pároco de Santa Teresinha, Pe. Nilson Bezerra parabenizou o bispo em nome de todos e pediu que os fiéis rezassem pela perseverança dele no pastoreio da Diocese.

A festa terminou com um lanche servido a todos os participantes da celebração. A partir de então, os leitores instituídos deverão seguir mais uma etapa de estudos na Escola Diaconal para que se concretize assim o sonho de receber daqui a alguns meses definitivamente o Diaconato pelas mãos do bispo diocesano.

Confira mais fotos da celebração:
Fotografia: Lourival Albuquerque

Padre explica o que acontece à pessoa após a morte

Ontem (2), a Igreja celebrou um dia especial de orações pelos fiéis defuntos, o dia de Finados. Desde os primeiros séculos, os cristãos já visitavam os túmulos dos mártires para rezar por eles e por todos aqueles que um dia fizeram parte da comunidade primitiva. No século XIII, o dia dos fiéis defuntos passou a ser celebrado oficialmente em 2 de novembro, já que no dia 1º de novembro era comemorada a solenidade de todos os santos.

Ao celebrar esta data, é comum pensarmos sobre o fim da vida neste mundo. Logo, é possível se perguntar: o que acontece após a morte? Para onde foram os que morreram? Céu e inferno são realmente lugares ou apenas estados de espírito?
Padre Wagner Ferreira, Doutor em Teologia Moral e Formador Geral da Comunidade Canção Nova,  explica, segundo a doutrina da Igreja Católica, o que acontece à pessoa após a morte. O padre fala ainda sobre céu, inferno e purgatório e,  esclarece a diferença entre o juízo final e o fim do mundo. 

Em primeiro lugar, como devemos olhar a realidade da morte?

Padre Wagner Ferreira – Quando a Igreja lida com a morte, Ela sempre tem o seu olhar voltado para o Mistério de Cristo Vivo e Ressuscitado. Como diz o livro do Apocalipse, Ele é o vivente. Ele é fonte de vida e ressurreição para aqueles que nele crêem. A Igreja vê a realidade da morte como uma realidade dramática, que toca toda e qualquer pessoa humana, mas ao mesmo tempo, tendo o seu olhar fixo em Jesus Ressuscitado, a Igreja crê na morte humana como uma passagem, um momento em que vamos definitivamente ao encontro de Deus, com muita esperança.

O que a Igreja ensina sobre o céu e o inferno?

Padre Wagner Ferreira – O céu é a própria vida de Deus, da Santíssima Trindade. Fomos salvos por Jesus para viver eternamente na vida de Deus. No céu, nós experimentaremos plenamente o amor do Senhor. É a nossa alegria eterna, a felicidade eterna. O inferno é aquele estado da alma em que, a pessoa, com clareza, com consciência muito clara, rejeitou a vida de Deus. É uma realidade dramática até pensar nisso. Deus tem um amor profundo e imenso pela pessoa humana. Criou cada pessoa livre e Ele não quer que ninguém O ame de forma obrigada. Deus não nos criou para sermos robôs. Mas, no respeito da nossa liberdade, ele respeita também aquele filho que quis dizer não a Ele. Portanto, o inferno seria esse momento definitivo em que a pessoa escolhe de forma muito clara, uma existência eterna, porém, sem Deus.

Segundo a Bíblia e a doutrina Católica, o que acontece após a morte?

Padre Wagner Ferreira - A partir da revelação bíblica, dos textos das Sagradas Escrituras, principalmente os textos do Novo Testamento, a Igreja crê que as pessoas, depois de sua morte, fazem a experiência do chamado juízo particular. Se elas estiveram, em sua vida terrena, comprometidas com Deus, com os valores do Reino de Deus, da justiça, do amor, da solidariedade para com o próximo e tudo mais, é claro que estas pessoas viveram uma vida de seguimento de nosso Senhor Jesus Cristo e vão seguir o Senhor também em sua vitória na Ressurreição. Essas pessoas em seu juízo particular, vão para a glória de Deus, para o Céu, para a Vida Eterna.
Agora, quem, infelizmente, viveu sua vida terrena sem compromisso com Deus, com a fé, com o amor ao próximo, a justiça, a solidariedade, depois de sua morte a pessoa segue para um juízo particular de condenação. É Claro que Deus não condena ninguém, mas a pessoa que, durante sua vida, escolheu uma vida sem Deus, descomprometida, desvinculada do amor ao próximo, da solidariedade e assim por diante, ela mesmo se condena. Mas, a Igreja nunca se pronuncia dizendo: tal pessoa foi para o inferno! Por mais terrível que tenha sido aquela pessoa, jamais a Igreja se pronuncia desta forma.

E o purgatório, como compreendê-lo?

Padre Wagner Ferreira - Se a pessoa procurou seguir a Cristo, mas em alguns momentos de sua vida, essa opção pelo Senhor e pela vivência dos valores do Reino de Deus não foi vivida com tanta coerência, a Igreja acredita que a pessoa passa, depois de sua morte, por uma experiência de purificação final, antes de participar eternamente da glória de Deus. É o que a Igreja chama de purgatório, ou seja, uma purificação final para que a pessoa possa participar eternamente da glória de Deus.

Quanto à salvação: é dom de Deus ou fruto do esforço humano?

Padre Wagner Ferreira - A Igreja professa essa verdade, juntamente com o Apóstolo São Paulo: as pessoas são salvas pela graça de Deus, pela fé em Jesus Cristo. Mas, o Apóstolo São Tiago também diz que se a fé não for acompanhada pelas obras ela é morta. Portanto, se eu creio em Jesus Cristo, e entro numa dinâmica de Salvação, esta fé me leva ao seguimento de Jesus, a um testemunho que se verifica em obras de amor, de justiça, de solidariedade, e etc. Mas, aquele que diz: creio em Jesus Cristo, mas no dia-a-dia não vive conforme esta fé na realidade, está enganado. Uma autêntica fé em Cristo me leva a um compromisso com a verdade. São obras de fé que testemunham a graça redentora de Cristo.

O que dizem as Escrituras e a doutrina católica sobre o juízo final? Ele corresponde também ao fim do mundo?

Padre Wagner Ferreira - O juízo final é uma verdade de fé, presente nas Sagradas Escrituras, em diversos textos bíblicos. A revelação bíblica e a tradição da Igreja nos ensinam que Nosso Senhor Jesus Cristo, um dia, virá para manifestar plenamente a glória de Deus na existência e na história humana. Jesus veio uma primeira vez, estabeleceu definitivamente o Reino de Deus e, depois, Ele ascendeu à glória de Deus. Mas, nós cremos que um dia Ele virá em sua glória para julgar os vivos e os mortos. De modo a estabelecer definitivamente o seu Reino. A vinda gloriosa de Jesus não significa fim do mundo ou destruição do mundo. Mas, será um momento, segundo a Igreja, de renovação de todas as coisas, de um estabelecimento definitivo do Reino de Deus, onde Deus será tudo em todos.

E, por que é preciso rezar pelos mortos?

Padre Wagner Ferreira - Esta prática de oração pelos defuntos tem o seu embasamento nas Sagradas Escrituras. Particularmente, existe uma passagem do segundo livro dos Macabeus capítulo 12, versículo 46, que diz assim: “Eis por que ele, Judas Macabeu, mandou oferecer este sacrifício expiatório pelos que haviam morrido, afim de que fossem absolvidos de seu pecado”. Então, essa prática de rezar pelos defuntos é muito antiga, vem desde o povo de Israel. Por isso a Igreja entendeu, desde a sua origem, como uma prática importante. Nós somos chamados a rezar pelos fiéis defuntos para que possam ser agraciados com a Misericórdia, com o perdão, com o Amor de Deus. É uma prática piedosa e que a Igreja quis estabelecer um dia para que todos nós, Igreja Peregrina, rezemos pela Igreja Padecente.

Além de rezar pelos que já morreram, existem outras formas de se viver bem este dia de Finados?

Padre Wagner Ferreira – Além desta atenção especial para com os fiéis defuntos, Finados também é uma oportunidade para que nós como Igreja Peregrina neste mundo possamos rever as nossas opções. Uma vez que a morte pode bater a nossa porta a qualquer momento, nós precisamos ter essa atenção também, não por medo da morte ou de ir para o inferno, mas, pelo contrário, mas por uma adesão mais bonita pelas coisas de Deus e o ao amor ao próximo. É também uma oportunidade para que nós possamos rever as nossas escolhas, tendo em vista também nós comungarmos eternamente da glória de Deus. 

2 de novembro de 2012

O que a Igreja ensina sobre a Morte

1020 O cristão, que une sua própria morte à de Jesus, vê a morte como um caminhar ao seu encontro e uma entrada na Vida Eterna. Depois de a Igreja, pela última vez, pronunciar as palavras de perdão da absolvição de Cristo sobre o cristão moribundo, selá-lo pela última vez com uma unção fortificadora e dar-lhe o Cristo no viático como alimento para a Viagem, diz-lhe com doce segurança estas palavras:

Deixa este mundo, alma cristã, em nome do Pai Todo-Poderoso que te criou, em nome de Jesus Cristo, o Filho de Deus vivo, que sofreu por ti, em nome do Espírito Santo que foi derramado em ti. Toma teu lugar hoje na paz e fixa tua morada com Deus na santa Sião, com a Virgem Maria, a Mãe de Deus, com São José, os anjos e todos os santos de Deus. (...) Volta para junto de teu Criador, que te formou do pó da terra. Que na hora em que tua alma sair de teu corpo se apressem a teu encontro Maria, os anjos e todos os santos. (...) Que possas ver teu Redentor face a face (...).

1. O Juízo Particular
 
1021 - A morte põe fim à vida do homem como tempo aberto ao acolhimento ou à recusa da graça divina manifestada em Cristo. O Novo Testamento fala do juízo principalmente na perspectiva do encontro final com Cristo na segunda vinda deste, mas repetidas vezes afirma também a retribuição, imediatamente depois da morte, de cada um em função de suas obras e de sua fé. A parábola do pobre Lázaro e a palavra de Cristo na cruz ao bom ladrão assim como outros textos do Novo Testamento, falam de um destino último da alma pode ser diferente para uns e outros. 
 
1022 Cada homem recebe em sua alma imortal a retribuição eterna a partir do momento da morte, num Juízo Particular que coloca sua vida em relação à vida de Cristo, seja por meio de uma purificação, seja para entrar de imediato na felicidade do céu, seja para condenar-se de imediato para sempre. No entardecer de nossa vida, seremos julgados sobre o amor.
 
2. O Céu

1023 - Os que morrem na graça e na amizade de Deus, e que estão totalmente purificados, vivem para sempre com Cristo. São para sempre semelhantes a Deus, porque o vêem “tal como ele é" (1Jo 3,2), face a face (1Cor 13,12): Com nossa autoridade apostólica definimos que, segundo a disposição geral de Deus, as almas de todos os santos mortos antes da Paixão de Cristo (...) e de todos os outros fiéis mortos depois de receberem o santo Batismo de Cristo, nos quais não houve nada a purificar quando morreram, (...) ou ainda, se houve ou há algo a purificar, quando, depois de sua morte, tiverem acabado de fazê-lo, (...) antes mesmo da ressurreição em seus corpos e do juízo geral, e isto desde a ascensão do Senhor e Salvador Jesus Cristo ao céu, estiveram, estão e estarão no Céu, no Reino dos Céus e no paraíso celeste com Cristo, admitidos na sociedade dos santos anjos. Desde a paixão e a morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, viram e vêem a essência divina com uma visão intuitiva e até face a face, sem a mediação de nenhuma criatura. 
 
1024 - Essa vida perfeita com a Santíssima Trindade, essa comunhão de vida e de amor com ela, com a Virgem Maria, os anjos e todos os bem-aventurados, é denominada "o Céu". O Céu é o fim último e a realização das aspirações mais profundas do homem, o estado de felicidade suprema e definitiva. 
 
1025 - Viver no Céu é "viver com Cristo". Os eleitos vivem "nele", mas lá conservam - ou melhor, lá encontram – sua verdadeira identidade, seu próprio nome. "Vita est enim esse cum Christo; ideo ubi Christus, ibi vita, ibi regnum - Vida é, de fato, estar com Cristo; aí onde está Cristo, aí está a Vida, aí está o Reino". 
 
1026 - Por sua Morte e Ressurreição, Jesus Cristo nos "abriu" o Céu. A vida dos bem-aventurados consiste na posse em plenitude dos frutos da redenção operada por Cristo, que associou à sua glorificação celeste os que creram nele e que ficaram fiéis à sua vontade. O céu é a comunidade bem-aventurada de todos os que estão perfeitamente incorporados a Ele. 
 
1027 - Este mistério de comunhão bem-aventurada com Deus e com todos os que estão em Cristo supera toda compreensão e toda imaginação. A Escritura fala-nos dele em imagens: vida, luz, paz, festim de casamento, vinho do Reino, casa do Pai, Jerusalém celeste, Paraíso. "O que os olhos não viram, os ouvidos não ouviram e o coração do homem não percebeu, isso Deus preparou para aqueles que o amam" (1Cor 2,9). 
 
1028 - Em razão de sua transcendência, Deus só poder ser visto tal como é quando Ele mesmo abrir seu mistério à contemplação direta do homem e o capacitar para tanto. Esta contemplação de Deus em sua glória celeste é chamada pela Igreja de "visão beatifica". Qual não ser tua glória e tua felicidade: ser admitido a ver a Deus, ter a honra de participar das alegrias da salvação e da luz eterna na companhia de Cristo, o Senhor teu Deus (...) desfrutar no Reino dos Céus, na companhia dos justos e dos amigos de Deus, as alegrias da imortalidade adquirida. 
 
1029 - Na glória do Céu, os bem-aventurados continuam a cumprir com alegria a vontade de Deus em relação aos outros homens e à criação inteira. Já reinam com Cristo; com Ele “reinarão pelos séculos dos séculos" (Ap 22,5). 
 
3. A Purificação Final ou Purgatório

1030 - Os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas não estão completamente purificados, embora tenham garantida sua salvação eterna, passam, após sua morte, por uma purificação, a fim de obter a santidade necessária para entrar na alegria do Céu. 
 
1031 - A Igreja denomina Purgatório esta purificação final dos eleitos, que é completamente distinta do castigo dos condenados. A Igreja formulou a doutrina da fé relativa ao Purgatório, sobretudo no Concílio de Florença e de Trento. Fazendo referência a certos textos da Escritura, a tradição da Igreja fala de um fogo purificador: No que concerne a certas faltas leves, deve-se crer que existe antes do juízo um fogo purificador, segundo o que afirma aquele que é a Verdade, dizendo, que, se alguém tiver pronunciado uma blasfêmia contra o Espírito Santo, não lhe será perdoada nem presente século nem no século futuro (Mt 12,32). Desta afirmação podemos deduzir que certas faltas podem ser perdoadas no século presente, ao passo que outras, no século futuro. 
 
1032 - Este ensinamento apoia-se também na prática da oração pelos defuntos, da qual já a Sagrada Escritura fala: "Eis por que ele (Judas Macabeu) mandou oferecer esse sacrifício expiatório pelos que haviam morrido, a fim de que fossem absolvidos de seu pecado" (2Mc 12,46). Desde os primeiros tempos a Igreja honrou a memória dos defuntos e ofereceu sufrágios em seu favor, em especial o sacrifício eucarístico, a fim de que, purificados, eles possam chegar à visão beatífica de Deus. A Igreja recomenda também as esmolas, as indulgências e as obras de penitência em favor dos defuntos: Levemo-lhes socorro e celebremos sua memória. Se os filhos de Jó foram purificados pelo sacrifício de seu pai que deveríamos duvidar de que nossas oferendas em favor dos mortos lhes levem alguma consolação? Não hesitemos em socorrer os que partiram e em oferecer nossas orações por eles. 
 
4. O Inferno

1033 - Não podemos estar unidos a Deus se não fizermos livremente a opção de amá-lo. Mas não podemos amar a Deus se pecamos gravemente contra Ele, contra nosso próximo ou contra nós mesmos: "Aquele que não ama permanece na morte. Todo aquele que odeia seu irmão é homicida; e sabeis que nenhum homicida tem a vida eterna permanecendo nele" (1 Jo 3,14-15). Nosso Senhor adverte-nos de que seremos separados dele se deixarmos de ir ao encontro das necessidades graves dos pobres e dos pequenos que são seus irmãos morrer em pecado mortal sem ter-se arrependido dele e sem acolher o amor misericordioso de Deus significa ficar separado do Todo-Poderoso para sempre, por nossa própria opção livre. E é este estado de auto­-exclusão definitiva da comunhão com Deus e com os bem-aventurados que se designa com a palavra "INFERNO". 
 
1034 - Jesus fala muitas vezes da "Geena", do "fogo que não se apaga", reservado aos que recusam até o fim de sua vida crer e converter-se, e no qual se pode perder ao mesmo tempo a alma e o corpo. Jesus anuncia em termos graves que "enviar seus anjos, e eles erradicarão de seu Reino todos os escândalos e os que praticam a iniquidade, e os lançarão na fornalha ardente" (Mt 13,41-42), e que pronunciar a condenação: "Afastai-vos de mim malditos, para o fogo eterno!" (Mt 25,41). 
 
1035 - O ensinamento da Igreja afirma a existência e a eternidade do inferno. As almas dos que morrem em estado de pecado mortal descem imediatamente após a morte aos infernos, onde sofrem as penas do Inferno, "o fogo eterno". A pena principal do Inferno consiste na separação eterna de Deus, o Único em quem o homem pode ter a vida e a felicidade para as quais foi criado e às quais aspira. 
 
1036 - As afirmações da Sagrada Escritura e os ensinamentos da Igreja acerca do Inferno são um chamado à responsabilidade com a qual o homem deve usar de sua liberdade em vista de seu destino eterno. Constituem também um apelo insistente à conversão: "Entrai pela porta estreita, porque largo e espaçoso é o caminho que conduz à perdição. E muitos são os que entram por ele. Estreita, porém, é a porta e apertado o caminho que conduz à vida. E poucos são os que o encontram" (Mt 7,13-14): Como desconhecemos o dia e a hora, conforme a advertência do Senhor, vigiemos constantemente para que, terminado o único curso de nossa vida terrestre, possamos entrar com ele para as bodas e mereçamos ser contados entre os benditos, e não sejamos, como servos maus e preguiçosos, obrigados a ir para o fogo eterno, para as trevas exteriores, onde haverá choro e ranger de dentes. 
 
1037 - Deus não predestina ninguém para o Inferno; para isso é preciso uma aversão voluntária a Deus (um pecado mortal) e persistir nela até o fim. Na Liturgia Eucarística e nas orações cotidianas de seus fiéis, a Igreja implora a misericórdia de Deus, que quer "que ninguém se perca, mas que todos venham a converter-se" (2Pd 3,9): Recebei, ó Pai, com bondade, a oferenda de vossos servos e de toda a vossa família; dai-nos sempre a vossa paz, livrai-nos da condenação e acolhei-nos entre os vossos eleitos. 
 
5. Juizo Final

1038 - A ressurreição de todos os mortos, "dos justos e dos injustos" (At 24,15), antecederá o Juízo Final. Este será "a hora em que todos os que repousam nos sepulcros ouvirão sua voz e sairão: os que tiverem feito o bem, para uma ressurreição de vida; os que tiverem praticado o mal, para uma ressurreição de julgamento" (Jo 5,28-29). Então Cristo "virá em sua glória, e todos os anjos com Ele. (...) E serão reunidas em sua presença todas as nações, e Ele há de separar os homens uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos, e por as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda. (...) E irão estes para o castigo eterno, e os justos irão para a Vida Eterna" (Mt 25,31-33.46).
 
1039 - É diante de Cristo - que é a Verdade - que será definitivamente desvendada a verdade sobre a relação de cada homem com Deus. O Juízo Final há de revelar até as últimas conseqüências o que um tiver feito de bem ou deixado de fazer durante sua vida terrestre: Todo o mal que os maus praticam é registrado sem que o saibam. No dia em que "Deus não se calará" (Sl 50,3), voltar-se-á para os maus: "Eu havia", dir-lhes-á, "colocado na terra meus pobrezinhos para vós. Eu, seu Chefe, reinava no céu à direita do meu Pai, mas na terra os meus membros passavam fome. Se tivésseis dado aos meus membros, vosso dom teria chegado até a Cabeça. Quando coloquei meus pobrezinhos na terra, os constituí meus tesoureiros para recolher vossas boas obras em meu tesouro; vós, porém, nada depositastes em suas mãos, razão por que nada possuís junto a mim". 
 
1040 - O Juízo Final acontecerá por ocasião da volta gloriosa de Cristo. Só o Pai conhece a hora e o dia desse Juízo, só Ele decide de seu advento. Por meio de seu Filho, Jesus Cristo, Ele pronunciará então sua palavra definitiva sobre toda a história. Conheceremos então o sentido último de toda a obra da criação e de toda a economia da salvação, e compreenderemos os caminhos admiráveis pelos quais sua providência terá conduzido tudo para seu fim último. O Juízo Final revelará que a justiça de Deus triunfa de todas as injustiças cometidas por suas criaturas e que seu amor é mais forte que a morte. 
 
1041 - A mensagem do Juízo Final é apelo à conversão enquanto Deus ainda dá aos homens "o tempo favorável, o tempo da salvação" (2Cor 6,2). O Juízo Final inspira o santo temor de Deus. Compromete com a justiça do Reino de Deus. Anuncia a "bem-aventurada esperança" (Tt 2,13) da volta do Senhor, que “virá para ser glorificado na pessoa de seus santos e para ser admirado na pessoa de todos aqueles que creram (2Ts 1,10)

Falecidos, não mortos

No próximo dia 2 celebraremos a memória dos fieis defuntos, dos nossos falecidos, daqueles que estiveram conosco e hoje estão na eternidade, os “finados”, aqueles que chegaram ao fim da vida terrena e já começaram a vida eterna. Portanto, não estão mortos, estão vivos, mais até do que nós, na vida que não tem fim, “vitam venturi saeculi”. Sua vida não foi tirada, mas transformada. Por isso, o povo costuma dizer dos falecidos: “passou desta para a melhor!” Olhemos, portanto, a morte com os olhos da fé e da esperança cristã, não com desespero pensando que tudo acabou. Uma nova vida começou eternamente.

Os pagãos chamavam o local onde colocavam os seus defuntos de necrópole, cidade dos mortos. Os cristãos inventaram outro nome, mais cheio de esperança, “cemitério”, lugar dos que dormem. É assim que rezamos por eles na liturgia: “Rezemos por aqueles que nos precederam com o sinal da fé e dormem no sono da paz”.

Os santos encaravam a morte com esse espírito de fé e esperança. Assim São Francisco de Assis, no cântico do Sol: “Louvado sejais, meu Senhor, pela nossa irmã, a morte corporal, da qual nenhum homem pode fugir. Ai daqueles que morrem em pecado mortal. Felizes dos que a morte encontra conformes à vossa santíssima vontade. A estes não fará mal a segunda morte”. “É morrendo que se vive para a vida eterna!”. S. Agostinho nos advertia, perguntando: “Fazes o impossível para morrer um pouco mais tarde, e nada fazes para não morrer para sempre?”

Quantas boas lições nos dá a morte. Assim nos aconselha o Apóstolo São Paulo: “Enquanto temos tempo, façamos o bem a todos” (Gl 6, 10). “Para mim o viver é Cristo e o morrer é um lucro... Tenho o desejo de ser desatado e estar com Cristo” (Fl 1, 21.23). “Eis, pois, o que vos digo, irmãos: o tempo é breve; resta que os que têm mulheres, sejam como se as não tivessem; os que choram, como se não chorassem; os que se alegram, como se não se alegrassem; os que compram, como se não possuíssem; os que usam deste mundo, como se dele não usassem, porque a figura deste mundo passa” (1 Cor 7, 29-31).

Diz o célebre livro A Imitação de Cristo que bem depressa se esquecem dos falecidos: “Que prudente e ditoso é aquele que se esforça por ser tal na vida qual deseja que a morte o encontre!... Não confies em amigos e parentes, nem deixes para mais tarde o negócio de tua salvação; porque, mais depressa do que pensas se esquecerão de ti os homens. Melhor é fazeres oportunamente provisão de boas obras e enviá-las adiante de ti, do que esperar pelo socorro dos outros” (Imit. I, XXIII). O dia de Finados foi estabelecido pela Igreja para não deixarmos nossos falecidos no esquecimento.

Três coisas pedimos com a Igreja para os nossos falecidos: o descanso, a luz e a paz. Descanso é o prêmio para quem trabalhou. O reino da luz é o Céu, oposto ao reino das trevas que é o inferno. E a paz é a recompensa para quem lutou. Que todos os que nos precederam descansem em paz e a luz perpétua brilhe para eles. Amém

Dom Fernando Arêas Rifan
Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney

1 de novembro de 2012

Católicos protegem mulheres contra “caça de bruxas” na África

Leigos católicos da Zâmbia, na África, assumiram a defesa de várias mulheres que foram acusadas em suas comunidades de participar de rituais de bruxaria, evitando assim elas sejam assassinadas pelos habitantes locais.

As acusações de bruxaria se originam devido à ocorrência de graves enfermidades, mortes e outros sérios problemas, que os habitantes costumam relacionar à prática de magia, e acreditam que a forma de deter as desgraças é matando as supostas bruxas. Em declarações à organização internacional Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), o Arcebispo de Kasama (Zambia), Ignatius Chama, destacou a crescente participação dos leigos na direção de projetos de justiça social, ajudando de forma particular as mulheres acusadas de bruxaria.

Dom Chama assinalou que as mulheres acusadas de bruxaria costumam ser golpeadas, como forma de obter a confissão dos seus supostos crimes, enquanto que seus cultivos, animais e outras posses são confiscados. O Prelado indicou que “a caça de bruxas ainda é um problema grave na maioria das comunidades”.

Em junho de 2011, Ketha Chungu, uma mulher de 40 anos, foi golpeada até a morte, ao ser considerada suspeita de ter matado uma menina de três anos com rituais mágicos. Dom Chama assinalou que “equipes de Justiça e Paz estão tentando concientizar as pessoas, criando consciência sobre este tema”.

O Arcebispo africano indicou que a superstição é a origem do problema da caça de bruxas, por isso remarcou a importância de aumentar a catequese, para que as pessoas se aproximem de Deus em épocas de sofrimento e não acreditem que seus problemas são causados pela bruxaria. “Estamos conseguindo resultados, mas (a crença na bruxaria) está enraizada na forma como as pessoas respondem aos problemas do sofrimento”, indicou.

“Quando um cristão enfrenta problemas, a forma em que enfrenta esses problemas costuma ser similar a como faziam nossos ancestrais”, disse. O prelado explicou que “no tema da bruxaria e a caça de bruxas, quando os habitantes enfrentam o problema da doença, o problema da morte, eles preferem realizar uma caçaria de bruxas, como uma explicação para tais problemas”.

Por esta razão, Dom Chama destacou o trabalho dos leigos católicos na defesa das mulheres acusadas de bruxaria, principalmente recorrendo à legislação da Zâmbia. “Acredito que estamos obtendo resultados, porque eles estão invocando a lei civil, a polícia, os juizes, porque, é obvio, em nosso país há uma lei sobre bruxaria, e nossa equipe de Justiça e Paz estão invocando esta lei, e educando as pessoas sobre esta lei”, disse.

Segundo a lei da Zâmbia sobre a bruxaria, qualquer pessoa que acuse outra de ser um bruxo ou bruxa, ou de causar a morte, ferir ou casar outro danos a terceiros de forma sobrenatural, pode ser multado ou encarcerado por até um ano. Aqueles que clamem ser caçadores de bruxas, ou que têm poderes sobrenaturais, para causar medo ou provocar danos, também podem ser castigados pela lei.

O bispo manifestou estar seguro de que “os leigos estão fazendo progresso, exceto em algumas comunidades que são muito distantes das áreas urbanas”. “São os leigos que dirigem os trabalhos de Justiça e Paz em nossas duas diocese de Kasama e Mpika, que localizamos no departamento do Cáritas”, indicou.

O Arcebispo de Kasama assegurou ainda que “os paroquianos são os que estão à frente, movendo todos os programas adiante”, para proteger a vida das mulheres no país africano.
 
Fonte: ACI Digital

Todos os Santos

Dia primeiro de novembro comemora-se o dia de todos os santos. A santidade fascina e atrai, como o mel atrai a abelha. Todos sabem que santo é quem encontrou o caminho da felicidade verdadeira no meio das contradições da vida.

A Bíblia ensina só Deus é santo. Ele, porém, comunica a santidade, é um Deus santificador, deseja um povo santo: “Sede santos, porque eu sou santo”(Lv. 19,2;20,26). A santidade de Jesus é idêntica à de seu Pai Santo (Jo 17,11). Jesus santifica os cristãos pela força do Espírito Santo. Ele recomenda: “Sede perfeitos como vosso Pai celeste é perfeito” (Mt. 5,48). Portanto, a santidade é vocação de todo cristão: “A vontade de Deus é esta: a vossa santificação”(1Tes.4,3).

Ser santo segundo a Bíblia é cumprir a vontade de Deus e assim realizar-se como ser humano. Eles não ocupam o lugar de Deus, nem são inventados pelos homens, são criaturas de Deus, a quem Ele privilegiou com mor especial, e viu este amor ser correspondido. Eles são reconhecidos como santos, porque foram amigos íntimos de Deus que os santificou. Os santos são heróis da fé vivida no amor. É o amor que santifica e salva.

No catolicismo não se adoram santos, mas se respeita e venera, como amigos de Deus. Esta atitude vem da fé na ressurreição, já que, os que morrem no Senhor estão com Ele. Reinam com Ele (Ap 4,4) e intercedem por nós (Ap 5,8).

A Bíblia mostra que Deus opera milagres pela intercessão dos santos. Um exemplo é a cura do coxo operada por são Pedro e são João: “Não tenho nem ouro nem prata, mas o que tenho isto te dou. Em nome de Jesus Cristo levanta-te e anda” (At. 3,1-9).  Nos apresenta outros exemplos, afirmando que “Deus fazia não poucos prodígios por meio de Paulo” (At. 19,11-12). No entanto, Jesus é o único mediador entre Deus e os Homens: “O Pai dará a vocês tudo o que pedirdes em meu nome” (Jo15,16).

Um santo opera em nome de Jesus porque só Nele está a fonte da graça e da força. Os santos colocam em evidência a glória e santidade de Cristo, cabeça da Igreja. Pois foi Ele mesmo que afirmou: “Eu garanto a vocês: quem crer em mim, fará as obras que eu faço, e fará maiores do que estas” (Jo 14,12). Ninguém pode ser santificado sem entregar sua vida a Jesus presente nos irmãos. Honrar um santo é reconhecer a força transformadora da Palavra de Deus que santifica quem a aceita e a coloca em prática.

O santo é para o cristão exemplo de quem testemunhou sua fé no seguimento de Jesus. O cristão tem a alegria de abrir o álbum de família – a família na fé – e contemplar uma fileira de heróis: os santos, nossos irmãos e amigos. Conseguiram servir a Deus com fidelidade e junto de Deus pedem por nós.

Os santos formam a multidão dos que souberam permanecer despertos, alertas, livrando-se das ilusões e alienações. Foram capazes de renunciarem a si mesmos, ou seja, o seu ego, seu egoísmo suas máscaras, e fazerem a viagem que importa: a viagem para o “centro da alma”, onde Deus nos espera (Jo14,23) para se revelar a nós e revelar-nos a nós mesmos. Santos e santas, rogai a Deus por nós!

Dom Pedro Carlos Cipolini
Bispo de Amparo (SP)

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